quinta-feira, 13 de abril de 2017

DAGBALLA: a movimentação da vida.


Enquanto Mawu e Lisa representam a união do equilíbrio da vida, Dagballa seu filho tem a missão mais importante do Universo. Movimentar à vida.
Por ter a missão mais importante do Universo, é considerado para os Povos Fon o Vodun mais adorado. Chamado de: _"O Gerador da vida"_.
Quando Mawu e Lisa constituiram o Universo, todas as coisas e os principais Voduns. Perceberam que à vida não fluía. Faltava algo.
O movimento!
O movimento dos elementos gerador da vida que Mawu e Lisa equilibrara.  
Mawu deu a Dagballa o papel de gerar à vida.
Assim mostrando a ponta da calda do (Vodun Serpente). Dagballa tentando morder a própria calda fez o Universo girar e consequentemente à Terra.
Gerando o dia, a noite, o movimento das marés e com isso o ciclo da vida.

Dagballa Dan Gbésèn. "Dagballa a serpente que gera à vida".

A função sagrada natural de Dagballa são os movimentos, o ciclo da água da chuva, movimentos de rotação que influencia a  movimentação da Lua que por sua vez ajuda o movimento das marés. 
O movimento de translação do Universo dar a Lisa o poder de brilhar para todos os lugares infinitos.
A Terra completa sua rotação a cada 24 horas a uma velocidade de aproximadamente 1.700 quilômetros por hora. Deste modo agradecemos a Dagballa por isso.
Dagballa estar simbolizado no  Arco íris, podendo assim ser chamado de Dan Aido Wedo. Mostra nesse fenômeno o seu compromisso com a movimentação das águas e a continuidade da vida.

Outro símbolo é a imagem da Dan mordendo a própria calda, formando um círculo que simboliza o ciclo da vida, o infinito, a mudança, o tempo, a evolução, a fecundação, o nascimento, a morte, a ressurreição, a criação, a destruição, a renovação.

Dagballa é considerado o Vodun mais adorado é mais importante para os Povos Ewe/Fon localizados na República do Benin  antigo Reino de Danhome (a barriga de Dan).
Conhecido no Brasil como Gbésèn é louvado pelo povo Jeje.

Lisa pune, Mawu perdoa e Dagballa movimenta.

Texto: Vodunsi Cleyton Araújo Olisasi

13 de abril de 2017.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Carta de afastamento

CARTA DE AFASTAMENTO

Venho por meio deste dispositivo informar meu afastamento do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana - FONSANPOTMA, ao qual faço parte da Executiva Nacional pasta da Coordenação de Juventudes. Sendo membro da bancada do Povo Djedje.

2   Diante a atua conjuntura política tive que fazer esforços para atuar e trabalhar no universo capitalista em uma metrópole nacional.

3   Não sendo mais morador do estado do Rio Grande do Norte sofri perseguições políticas ao mudar-me para o Estado da Bahia e também sofri perseguições políticas ao ingressar em uma comunidade Tradicional baiana. Perseguições essas promovidas por membros do FONSANPOTMA do RN.

4   Ao longo de quatro anos de atuação da pasta da Juventude, minha atuação foi sempre questionada. Questionamentos dos quais começaram desde 2011 quando fui selecionado pelo Ministério da Cultura parte da I Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas para Povos Tradicionais de Matriz Africana. O conceito coronealista firmado pelas lideranças da Tradição de Matriz Africana do RN não aceitavam um jovem viajar Brasil a fora como representante.

5   Fui perseguido politicamente após ser escolhido membro do FONSANPOTMA. Mais uma vez o conceito coronealista do RN não aceitava um Jovem ser o primeiro representante do RN a uma recém criada organização nacional tão importante.

6   Fui eleito democraticamente Coordenador do Comitê Gestor de Distribuição de Alimentos para os Povos Tradicionais de Matriz Africana, programa da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República - SEPPIR-PR. As perseguições foram tantas que um dia após a eleição democrática com a presença de servidores públicos federais e estaduais algumas pessoas não eleitas pediram outra eleição. Tipo para poder por à mão nas "cestas da SEPPIR".

7  Fui perseguido sempre, e até uma nota lançaram questionando minha atuação nacional. Essa por causa do lançamento da Articulação Nacional das Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais - ANJPCT-BRASIL. Sou um dos líderes dessa articulação.

8  Chegaram até questionar minha cidadania Potiguar. Alegando que, como um membro de um Terreiro Baiano não poderia falar em nome do Rio Grande do Norte e assim negar minha vida no estado.

9  As perseguições firmaram-se até a ameaças de morte. Após minha participação na Comissão de Organização Nacional da Conferência Nacional de Juventudes. Algumas liderança do RN chegaram a afirma que "só ele morrendo para deixar os espaços livres para nossa entrada".

10  As perseguições ganharam outro lado, a minha mudança para São Paulo. Com o argumento que eu estou ganhando muito dinheiro e eles não. Resolveram atirar e provocar. Em um país de clima de golpe contra a democracia. Fazer golpe até nos movimentos sociais virou jogo de tampinha.

11  Em um clima de tantas provocações e insultos. O golpe foi vitorioso. Apenas em um momento de descontrole emocional e Psicológico cair a devolver as perseguições em umas falas soltas. Mesmo estando fora de si.

Aqui afirmo:

A - Não é das minhas práticas Tradicionais promover violência contra mulheres. Principalmente tratando de uma mulher negra da Tradição de Matriz Africana.

B  Não é de minha prática tradicional promover ameaças de morte a qualquer pessoa da Tradição de Matriz Africana ou religião afim.

C  Não é de minha prática tradicional promover a desconstrução dos Conceitos Tradicionais.

D  Seja qual for seu lado um Jovem Negro, homossexual, morador da periferia e de Matriz Africana sempre será perseguido pelo sistema dos que querem engolir o mudo através dos golpes colocados no mundo dos fascistas infiltrados dentro da Tradição de Matriz Africana.

12  Mesmo em 6 anos de perseguições políticas e pessoais,  por ser atuante na militância da Juventude Nacionalmente, ter mudando de Unidade Territorial Tradicional - UTT (Terreiro) eu não tenho práticas criminosas contra os direitos humanos, a natureza, política de promoção de combate ao racismo e demais bandeiras de luta.

13   Todos os Jovens têm o direito de escolher qual Tradição irão envelhecer. Isso é livre perante o Ancestral Divinizado de cada um. Cada um procura suas melhoras de vida na Tradição, livre de ameaças de morte pela força da natureza (feitiços).

14  Por crer no Conceito da Tradição. Respeito aos mais velhos, compromisso com os mais novos, ter à Natureza como Divindade, ter uma Alimentação Saudável.

15  Crendo que a Tradição Alimenta, não violenta.

16  Declaro-me afastado do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana - FONSANPOTMA.

Cumpra-se.

São Paulo, 12 de janeiro de 2017.

Atenciosamente

Vodunsi Cleyton Araújo Olisasi


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Negro Drama: Entenda o preconceito sofrido por gays negros

Por *João Marinho em 19/02/2010 às 19h28

Negro Drama: Entenda o preconceito sofrido por gays negros

Análises sócio-históricas ajudam a entender preconceitos sofridos por negros gays.

Negro é silêncio, é luto. 
Negro é a solidão. 
Negro que já foi escravo. 
Negro é a voz da verdade. 
Negro é destino, é amor. 
Negro também é saudade.

(Elymar Santos, "Sorriso negro")

Enquanto esta matéria era escrita, estava em curso a eleição presidencial norte-americana. No dia em que ela foi fechada, Barack Obama, um negro, se tornou presidente do país mais poderoso do mundo.

Lá, como cá, muitos negros estão em festa. A vitória de Obama carrega um forte simbolismo. Afinal, falamos de uma população historicamente alijada de direitos, vítima de preconceitos e com dificuldades no acesso a bens, serviços e ao poder. Quando, quando à cor da pele, soma-se a orientação sexual ou identidade de gênero diferente da maioria, as coisas tendem a piorar. Lá, como cá.

Se, no Brasil, não dá para negar o duplo preconceito a que negros LGBTs são submetidos, quais seriam, estruturalmente, as razões que levaram, ou levam, a essa situação? E o que tem sido feito, em termos de mobilização social, para alterar esse quadro? É sobre isso que pretendemos lançar luz.

Mitos e histórias

Historicamente, a sexualidade negra, em nosso País, foi marcada pela escravidão. Nesse período, o branco forjou as principais concepções sobre ela que ainda dominam nosso imaginário. Sim, pois, embora os negros tenham trazido seus costumes da terra natal, foram as idéias, e preconceitos do colonizador que acabaram por modelar a abordagem sobre o assunto. Um exemplo é a crença de que, originalmente, não havia homossexuais entre os negros.

No trabalho "Os grupos de homossexuais afro-descendentes e a militância contra homofobia e racismo no Brasil", o historiador Marcelo Cerqueira e o antropólogo Luiz Mott, comentam que "é antigo e persistente o mito da inexistência da homossexualidade no continente negro. Diversas autoridades religiosas e presidentes africanos têm feito discursos iradoscontra gays e lésbicas, associando o amor entre pessoas do mesmo sexo ao colonialismo".

"Oficialmente", continuam os pesquisadores, "teria sido o historiador inglês Edward Gibbon, em 1781, quem primeiro asseverou a inexistência da homossexualidade no continente africano. Esta suposta 'excepcionalidade africana' foi reforçada por diversos antropólogos cegados ainda pela homofobia vitoriana."

"Por trás do mito da inexistência do homo-erotismo na África pré-colonial, estão dois outros mitos: a naturalização da sexualidade dos negros, que, movidos pelo instinto animalesco, desconheceriam os vícios antinaturais dos brancos; e a superioridade física do primitivo africano, avesso à efeminação própria do mundo civilizado", aponta a pesquisa.

Alguma semelhança com os tempos modernos? Milton Santos, 32 anos, presidente do Estruturação, grupo LGBT de Brasília, responde. "Os negros sempre foram tratados como mercadoria, e isso está latente. Os negros se firmaram como resistentes, fortes, guerreiros, potentes e másculos. De repente, surge um gay, que é considerado fraco, impotente e que, no senso comum, vai na contra-mão de tudo que sempre foi ostentado".

Isso ajuda a explicar o preconceito que outros negros nutrem contra negros gays, que passam a ser vistos, por exemplo, como "traidores da raça". "Tenho uma tia que pensa assim", conta o jornalista Emerson Nunes, 33. "Ela convive de boa comigo e meus amigos gays, mas, em vários momentos, deixa transparecer que não aceita o negro ser gay".

Bem-dotados

Depois disso, parece que nós, gays que admitimos a existência da homossexualidade entre negros africanos e brasileiros, "corremos porfora", não é? Ledo engano. Renildo Barbosa, 32, diretor de diversidade do Coletivo de Entidades Negras (CEN) e integrante da Rede Afro LGBT, relaciona a imagem do negro forte e másculo a seu papel como reprodutor nas senzalas: "a 'potência' do homem negro e o 'fogo' da mulher negra são utilizados para manter viva a chama do machismo".

"Não somente homens negros são explorados por seu lado sexual", continua Barbosa, "mas as mulheres negras também, o quenos remete a questões históricas e seculares, de utilizar negros e negras escravoscomo reprodutores e amantes. Os mesmos estereótipos se aplicam aos negros LGBTs, que são tidos como melhores amantes e parceiros sexuais". É daí que saiu aquela velha história do negro machão, ultra-ativo e bem-dotado...

Embora existam outros estereótipos relacionados aos negros - Renildo Barbosa cita, por exemplo, o profissional, "em que somos pensados como trabalhadores braçais ou em posições de comandados" - o do "negão ativo" é tão presente que foi um dos mais lembrados por nossos entrevistados. Tem até quem se aproveite dele. É o caso de Ricardo Lima**, 47, funcionário público. "Uso muito sites de relacionamento e, quando digo que sou negro, vem aquela história do 'você é negro, ativo, pauzudo'". Por sorte, Lima é ativo. No entanto, ele também vê um lado ruim nisso."Quando percebo que, por parte do outro, tudo se resume àquilo, pulofora. Eu me sinto como se fosse um pedaço de carne", conta.

Lima também comenta que o estereótipo pode não ser nada legal para os que preferem a passividade: "Tenho um amigo, negro também, que é 100% passivo. Muitos se aproximam dele acreditando nessa coisa de 'ativo pauzudo' e, quando descobrem, desistem".

Mestra em Educação Brasileira, professora e ativista da Rede AfroLGBT, Negra Cris, 37, acredita que os estereótipos do 'negro bem-dotado' e também da 'negra quente' reafirmam o preconceito racial. "Alguns homossexuais não-negros pensam pelo senso comum e serelacionam com homossexuais negros acreditando nesses supostos potenciais. Claro que os relacionamentos inter-raciais não vão se dar apenas por essemotivo, mas a supervalorização sexual do negro leva à curiosidade e à permanência do senso comum de cunho racista".

Na terrinha

Nesse ponto, é oportuno voltar à pesquisa de Marcelo Cerqueira e Luiz Mott e perguntar: mas, afinal, há provas de que sempre houve homossexualidade entre os negros na África? A ativista Sônia Regina de Paula Leite, 50, da CoordenaçãoNacional de Entidades Negras (CONEN), alerta para a dificuldade em fazer esselevantamento. Para ela, na África Negra, "houve, há muitos séculos, um período de matriarcado. Depois, seguiu-se o patriarcado. Nesse contexto, é muito difícil um discurso que não seja referente à sexualidade masculina heterossexual. Não há muitos dados".

De fato, mesmo sobre o período escravocrata, os documentos sãoescassos. Em seu artigo "Escravidão e homossexualidade", de 1986, opróprio Mott reconhece: "Os 'sodomitas' viviam na mais completa clandestinidade. A história dos homossexuais do período colonial defronta-se com a problemática de dispor como fonte documental quase exclusivamente deprocessos inquisitoriais".

A pesquisa de Mott nos arquivos da Inquisição também encontrou relatos demonstrando que, em diferentes etnias, os homossexuais, além de atuantes, dominavam os conhecimentos místicos, mágicos e médicos como xamãs. Senão dá para generalizar e dizer que toda a África antiga, diferente da atual, era 'friendly', as pesquisas apontam para o fato de que, além de haver homossexualidade entre os nativos, ela provavelmente não era condenada pelo menos em alguns grupos.

No Brasil, ainda segundo Mott, parte dos cativos teria trazido essa herança. No entanto, o próprio ambiente escravocrata tinha elementos para estimular o sexo gay, como o excesso da população masculina negra em relação à feminina - "problema" pelo qual os brancos também passavam- e, claro, a dominação do corpo do negro pelos senhores.

Essa dominação se traduzia não apenas no abuso sexual das negras,mas também de integrantes do sexo masculino, fossem a




segunda-feira, 4 de abril de 2016

A solidão e falta de esperança do preto gay.

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Desde cedo, eu nunca tive muitas figuras de preto gay para me representar ou para me contemplar na minha vida, eu tive sempre que me contentar com alguns amigos "héteros" que em um futuro próximo se aceitaram como bissexuais. E assim por sorte do destino, dei início a meios relacionamentos que eram bem escassos.

Tenho certeza que muitos pretos já sentiram na pele como é ser deixado como segunda, terceira ou até mesmo não ser a opção de outros garotos, porque segundo eles "você não faz o tipo dele". Eu lembro que toda vez que eu ia pra algumas festas, eu sempre acabava "segurando vela", enquanto isso, todos meus amigos brancos estavam se pegando com várias pessoas. E é claro que eu ficava chateado por não me sentir desejado, passava hora em frente ao espelho desejando que meu nariz fosse menor, que minha boca fosse mais fina, que meu cabelo fosse mais liso, que minha pele fosse mais clara, pois sabia que só assim aquelas pessoas do meu meio iriam me desejar.

E eu te pergunto o que é esse tal do "gosto pessoal". Por que seu "gosto pessoal" é sempre o cara musculoso, branco e com traços finos? Você já se perguntou o por que disso? Eu te respondo. Gosto é construção social. A sociedade molda o seu "gosto" todos os dias na televisão, nos filmes, nas revistas e você acredita que sempre gostou daquilo que te "atrai". Não me surpreende ver meus amigos se apaixonarem por garotos iguais aos da Colírio da Capricho e dando fora nos demais que não atendem por aquele padrão estabelecido.

Outra coisa, nós pretos não podemos ter o privilégio de ter um amorafrocentrado, porque sempre outro preto com um jeito mais masculino que o nosso está lá bancando o palmiteiro e namorando uma pessoa branca. E exibe ele como se fosse seu maior prêmio, sinal de status ou qualquer outra bobeira que foi criada por essa sociedade porca. Ele se submete a ser tratado como um pênis ambulante para poder ter alguém. E no fundo, isso é triste.

E é nesse vai e volta de "gosto pessoal" que os pretos estão lá sozinhos, procurando defeitos neles mesmos, com sua auto-estima totalmente destruída, porque nunca se sentem bons suficientes para alguém e quando se sentem bem consigo mesmo, nós ouvimos vários "você não é isso tudo", "baixa essa bola aí que você não é bonito". Só somos procurados por curiosidade e para sermos hipersexualizados pelo gay padrão que quer transar com a gente, porque negros tem pênis grande e é "quente na cama". Não somos objetos para os prazeres imundos de vocês. E se vocês acham que nosso pau é grande, é porque vocês não viram o tamanho do nosso ódio.

Eu sou inteligente, sou engraçado, companheiro e até bonito. Então, por que os outros não me vêem com os mesmo olhos que eu me vejo? Não importa a porcentagem que nós bichas negras sejamos interessantes, nós sempre vamos ficar como segunda opção por causa daquela gay branco que nem é tão interessante assim, mas é padrão. Vocês entendem que nós negros estamos sempre tendo que provar que somos bons suficientes para algo ou para alguém? E já perceberam que temos que ser 400 vezes melhor que um branco que é 100 vezes ruim em algo para sermos notados?

A verdade é que ninguém quer a bicha negra. Só se for pra uma transa casual, bem escondida, discreta, no escuro pra ninguém ver. E a desculpa é sempre a mesma: "Eu não quero um relacionamento sério no momento", mas no outro dia, nós vemos que ele entrou em um relacionamento com fulaninho padrãozinho da silva. Além disso, sempre somos feitos de pombo correio entre o boyzinho e nosso amigo padrão.

Nós bichas pretas lutamos contra racismo, homofobia, hipersexualização e uma porrada de outros preconceitos pessoais que cada um sofre, nós nos sentimos um lixo, um monstro e ainda assim temos que arrumar tempo para nos amar e levantar nossa auto-estima. Porque não existe nada pior que uma bicha preta solitária que não se ama, né? Ah, dá um tempo branco! É muito fácil vocês falarem isso, vocês sempre foram amados e tratados como deuses.

Se sentir assim é muito frustrante, triste e doloroso, mas há algo que me incomoda muito mais e é ouvir pessoas brancas falando de solidão. Esse tipo de pessoa está há dois dias sem beijar ou levou um fora de outro gay padrão de 700 curtidas no instagram e fala de se sentir solitário e etc. Vocês não sabem o que é isso, e provalvemente é bem possível que nunca saibam. Parem de desfazer do sofrimento alheio. Azaração, pegação e mil namoros é coisa de gente branca.

O empoderamento negro é uma luta árdua e diária. É muito mais que apenas narcisismo, é resistência, é afronte, é cultivar um amor que nunca foi lhe oferecido. Não reclame daquele negro que posta foto todo dia, daquela garota que anda de nariz em pé e "se acha o ultimo biscoito do pacote". E como diz meus amigos brancos, nós não somos isso tudo. E é verdade. NÓS SOMOS MUITO MAIS. SOMOS FABULOSOS E MARAVILHOSOS!

Esse texto vai para todos amigos negros que se sentem assim da mesma forma. Não estou mendigando afeto de ninguém, mas sim, abrindo seus olhos sobre o quanto a questão do gosto pessoal machuca, o quanto nos sentimos inferiores e menosprezados. Esse texto é para nos empoderar, é para todos meus irmãos que se sentem da mesma forma. Coloquem seus turbantes, armem seus crespos, sorriam e seguimos em frente. Força para todos nós!

 E como diz meu amigo Ezio: Beije seu preto em praça pública!


*Afrocentrado: Relacionamento entre duas pessoas negras.

*Palmiteiro: Homem negro que se relaciona com pessoas brancas por status, como se fosse um prêmio e acaba menosprezando pessoas negras. 

FONTE: http://turbantei.tumblr.com/post/130157678369/a-solid%C3%A3o-e-falta-de-esperan%C3%A7a-do-preto-gay

sexta-feira, 25 de março de 2016

ONU Mulheres condena violência sexista praticada contra Dilma

A nota aponta ainda preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito

25/03/2016

Por Mariana Tokarnia

Da Agência Brasil

A ONU Mulheres Brasil divulgou nessa quinta-feira (24) uma nota na qual condena a violência de ordem sexista que vem sendo praticada contra a presidenta Dilma Rousseff. "Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero", diz o comunicado, assinado pela representante da entidade, Nadine Gasman.

Dilma é a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil. Por questões políticas, têm sido vítima de xingamentos sexistas, de depreciação da figura da mulher e outras violências que a atacam enquanto mulher. Mensagens com esses tipos xingamentos, algumas bastante agressivas, ofensivas e com palavras de baixo calão, são vistas em cartazes e ouvidas durante protestos contra a petista.

A nota diz que a ONU Mulheres observa "com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito" e destaca ainda que, nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. "São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa", diz.

Leia a nota na íntegra:

"A ONU Mulheres observa com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito.

Aos poderes da República, a ONU Mulheres conclama a preservação da legalidade, como condição máxima das garantias estabelecidas na Constituição Federal de 1988 e nos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

À sociedade brasileira, a ONU Mulheres pede serenidade nas manifestações e não-violência frente aos debates públicos necessários para a condução democrática dos rumos políticos do país. O debate saudável entre opiniões divergentes deve ser parte intrínseca da prática cidadã em uma democracia.

Nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa.

Como defensora dos direitos de mulheres e meninas no mundo, a ONU Mulheres condena todas as formas de violência contra as mulheres, inclusive a violência política de ordem sexista contra a Presidenta da República, Dilma Rousseff. Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero – prática patriarcal e misógina que invalida a dignidade humana.

Que o legado da democracia brasileira, considerado referência no mundo e especialmente na América Latina e Caribe, seja guia para as soluções da crise política. 

Nadine Gasman

quinta-feira, 24 de março de 2016

Sem igualdade racial não há democracia

O Brasil é um país de resultados. Nestes 13 anos, as políticas de promoção da igualdade racial promoveram avanços para a população negra brasileira. A redução da pobreza, a ampliação do acesso à universidade e ao mercado de trabalho, a implementação de políticas públicas específicas voltadas para comunidades tradicionais de matriz africana, quilombolas e ciganas, além do reforço de mecanismos de denúncia do racismo são alguns exemplos de programas e ações bem sucedidos.

De 2003 a 2014, a situação de extrema pobreza que atinge a população negra reduziu quase 72%. Programas como o Bolsa Família, contam com 73% dos beneficiários negros, dos quais 68% são de famílias chefiadas por mulheres – destaca-se que no total do programa as mulheres representam 93% dos beneficiários. O acesso à moradia também foi ampliado para os negros: entre os beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, 71% são negros. E entre os beneficiários do Pronatec, Programa de Educação Profissional e Tecnológica criado pelo governo brasileiro, 68% são pretos e pardos.

No campo, mais de 166 mil famílias chefiadas por negros hoje recebem apoio governamental para ampliar a produção agrícola e melhorar a renda. Além disso, famílias negras se beneficiaram de 66% das cisternas implantadas para captação pluvial para consumo humano, e de 84% das cisternas para irrigação.

Entre os anos de 2005 e 2015, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou 208 Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID) de terras quilombolas. No mesmo período, foram publicadas 107 portarias de reconhecimento dessas comunidades; 77 Decretos de desapropriação; e 29 títulos de propriedade, contemplando cerca de 28 mil famílias em todo o país.

política afirmativa de cotas, estabelecida pela Lei n° 12.711/2012, garantiu o acesso ao ensino superior à aproximadamente 150 mil estudantes negros em todo o país. As universidades públicas federais e os institutos federais de educação superior ganharam em diversidade e em qualidade, com destaque para as boas notas dos alunos cotistas e o baixo índice de desistência dos cursos frequentados por estes alunos.

A partir da vigência da Lei n° 12.990/2014, que prevê a reserva de 20% das vagas em concursos públicos federais para pessoas que se autodeclarem pretas ou pardas, mais de 3.000 pessoas pretas e pardas ingressaram no serviço público, como constatou monitoramento realizado até dezembro de 2015. Uma mudança estrutural no perfil étnico-racial da administração pública federal está em curso. Além disso, a lei tem motivado a criação de legislações semelhantes em âmbito estadual e municipal.

No campo da institucionalização da política, o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) promove a sinergia e o compartilhamento de responsabilidades e competências entre o Governo federal, os estados, os municípios e o DF. Já são mais de 300 instâncias de promoção da igualdade racial em todo o país (entre órgãos e conselhos). O Sinapir democratiza o acesso aos recursos públicos federais, priorizando projetos apresentados pelos entes que já aderiram voluntariamente ao sistema, e reforça a articulação federativa.

Os avanços na institucionalização também são refletidos numa maior articulação institucional que tem como exemplo principal o Plano Plurianual de Governo, que não apenas dedica um programa específico para essa política, demonstrando a sua importância estratégica para o Governo federal, como promove uma integração de objetivos e ações nos diversos Ministérios visando a promoção da igualdade racial e a superação do racismo.

Essas articulações visam a garantia de direitos e a ampliação de serviços aos cidadãos e cidadãs. A partir de dezembro de 2015, as denúncias de violações contra a juventude negra, mulher negra ou população negra em geral, e contra comunidades quilombolas, de terreiros, ciganas e religiões de matriz africana contam com um canal de comunicação disponível 24h por dia e gratuito, que é o Disque 100. Esse serviço foi ampliado e agora possui dois novos módulos específicos para as denúncias raciais. Agora, o Disque Direitos Humanos é também o Disque 100 racismo.

Esses resultados evidenciam conquistas na luta contra o racismo, mas também desafios. O dia 21 de março – Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial – resgata a memória e reforça a atualidade da luta contra a discriminação racial e contra uma política de invisibilização e exclusão extrema da população negra. Apesar dos avanços contabilizados, muito ainda há que se fazer para garantir maior participação social e cidadania efetiva às negras e aos negros de nosso país. É longo o caminho para superar o racismo enquanto desigualdade estrutural.

O avanço da política de promoção da igualdade racial sinaliza inequivocamente o quanto a democracia brasileira tem se fortalecido, e pode se fortalecer, em diversidade e legitimidade, a partir do reconhecimento e da inclusão de outros sujeitos históricos de direitos.

O Governo Federal continuará investindo nas políticas de promoção da igualdade racial, que já demonstraram serem capazes de impulsionar as bases da construção de uma igualdade necessária ao pleno desenvolvimento do nosso país. Afinal, sem igualdade racial não há democracia.


Por: *Nilma Lino Gomes e **Ronaldo Barros. 


*Nilma Lino Gomes é Ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Pedagoga, mestra em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra.

**Ronaldo Barros é Secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Graduado em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Jovens da ANJPCT-Brasil participam de oficina.

Povos e Comunidades Tradicionais , em diversos momentos da história do Brasil, estiveram à margem das políticas públicas. Pensando nisso, a 3ª Conferência Nacional de Juventude realizará uma etapa exclusiva para esses segmentos, que têm muito a contribuir na etapa nacional. A oficina preparatória aconteceu nesta quinta (24/09) realizada pela Secretaria de Políticas Pela Igualdade Racial (Seppir) e Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), em Brasília.

Ao todo, 30 jovens de diversos estados brasileiros, representando as cinco regiões do país, trouxeram à roda de conversa suas provocações. A ideia é fortalecer o diálogo entre as lideranças juvenis de cada segmento no intuito de ampliar a mobilização de jovens, que muitas vezes ficam exclusos da participação presencial na etapa nacional.

Na ocasião, o secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina, expôs a conjuntura do desenvolvimento das políticas voltadas aos jovens. "Estamos juntos aqui para qualificar a juventude para que estejamos cada vez mais empoderados sobre nossa diversidade. É a juventude que vai transformar as realidades do Brasil pra melhor", disse.

De acordo com Ronaldo Barros, secretário de ações afirmativas da Seppir, o Brasil tem se tornado referência para o mundo no desenvolvimento de políticas de igualdade racial e os jovens têm sido fundamentais nesse processo. "É difícil conviver com uma representação negativa do povo negro em todos os espaços, mas a juventude, com a afirmação de suas características, tem contribuído com a nossa identidade", afirmou.

As pautas para os povos e comunidades tradicionais são específicas e muitas vezes não são levadas em consideração em alguns espaços políticos. É o que afirma a jovem Anaildes Souza, 25, membro do Instituto de Mídia Étnica. "Estamos aqui pra dar voz aos povos invisibilizados. Queremos ser reconhecidos e ter nossas questões pautadas", cobrou.

A previsão é de que em dezembro, antes da etapa nacional, que acontece de 16 a 19, ocorra a etapa para Povos e Comunidades Tradicionais. Esta etapa elegerá delegados direto para a última fase da Conferência, que vai ser realizada em Brasília.

Estiveram presentes nessa atividade Jovens de Matriz Africana, Quilombolas e Ciganos da ANJPCT-Brasil.



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais

Na ultima sexta-feira (24) representantes da Articulação Nacional das Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais - ANJPCT-Brasil participaram de Reunião da Comissão Organização Nacional da III Conferencia Nacional de Juventude, que será realizada pela Secretaria Nacional da Juventude da Presidencia da Republica - SNJ-PR em meados de dezembro de 2015 em Brasília. 
Na ocasião foi discutido como será realizado a chamada Publica para as Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais, etapa que antecede a conferencia nacional. 
A Chamada Publica das Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais tem a missão de potencializar as diversas lideranças juvenis pertencentes aos diversos segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil. Foi informado o lançamento do App ‪#‎3ConfJuv‬. Agora, através do celular, computador ou tablet, qualquer jovem a partir de 15 anos, de todo o Brasil, pode fazer propostas para a 3ª Conferência Nacional de Juventude, prevista para dezembro, em Brasília.
Outra novidade da #3ConfJuv é o espaço "MANISFESTA" local que será de suma importância para a apresentação cultural, artística e tradicional das Juventudes.

sábado, 23 de maio de 2015

Além de Religião somos mais, somos Tradição.

Falar e ter um discurso voltado para a religião ou intolerância religiosa é não pensar e agir na concepção política. 
Não podemos ter retrocessos nos debates e nas discussões políticas de longos anos por falas voltados apenas na religiosidade.
Nós Povos Tradicionais de Matriz Africana, somos reconhecidos pela Conversão 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT da Organização das Nações Unidades – ONU, e a Republica Federativa do Brasil assinou essa carta, decretando assim e reconhecendo os seus Povos e Comunidades Tradicionais. 
Ao Decreta (Decreto 6.040/2007) que reconhecem os Povos oriundos da diáspora africana, que foram sequestrados e postos nessa terra por três longos séculos como mão de obra escrava. Ser Povos Tradicionais de Matriz Africana e ter um ganho nas políticas publicas de garantia de TERRA/ÁGUA, Segurança Alimentar e Nutricional, garantia da manutenção das línguas, acesso ao meio ambiente, dupla cidadania e garantia do Território.
 Declara-se como Religiosos ou Religiosas de Terreiros, do Santo, Povo do Axé, Religião etc. Deixa-se de fora das políticas brasileiras, planos e leis de incentivo e garantias.
Um grande exemplo é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. Determina nos seus artigos que as Unidades de Conservação ou Parque Naturais que tenham Povos Tradicionais no seu entorno ou dependência podem e devem ser consideradas como de Uso Sustentável.
Não tem como haver no Brasil um plano nacional para o desenvolvimento de religiões. Nosso estado é laico!!!
Mais há no Brasil sim: O Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais.
Porque temos que ser chamados de Povos Tradicionais?
O Decreto 6.040/2007 define: Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados, que se reconhecem como tais, possuem formas próprias de organização social e ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.
Nos temos um tronco linguístico próprio, alias temos vários (Kiribundo, Kibundo, Kikongo, Yorùgbá, Fongbe, Ewe, Mina). Temos uma soberania alimentar e nutricional, uma forma de alimentação baseada na ancestralidade (uma comida própria). Temos uma relação com a natureza própria, uma relação ancestral com a natureza, e isso é base fundamental para nossa sobrevivência. Temos uma forma de organização política própria, baseado na circularidade. Temos uma relação com a ancestralidade definida. Temos uma cultura própria e particular. Temos um conceito civilizatório Afrocentrado e não os da Europa. Sim! Também temos uma forma de pensar a Religiosidade, mais isso é um ponto entre os diversos termos e conceitos que nos define como Povo Tradicional.

Vodunce Cleyton Araújo - Etemi Lisasi (Povo Tradicional de Matriz Africana Ewe-Fon)
Coord. Nacional da Juventude do FONSANPOTMA

ANJPCT-Brasil.