quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Alimento: direito sagrado - lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros.

 lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros.



O Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Comunidades Tradicionais de Terreiro vem convidar a todos os Afro-religiosos, simpatizantes e amigos, para realização do evento de lançamento do livro do Mapeamento das Comunidades Tradicionais de Terreiros que teve como objetivo principal dados para promoção de políticas publicas de segurança alimentar e nutricional e melhoria de qualidade de vida nas comunidades tradicionais de terreiro.
LOCAL: Auditório da SAGRI, Tv. do Chaco, 2232 - Belém/ PA.
DATA: 10-08-2012
HORA: 16H


O Superior Tribunal de Justiça convida para o Encontro “O Poder Judiciário e o Meio Ambiente.”



De 16 a 17 de agosto de 2012, o Superior Tribunal de Justiça realizará o encontro "O Poder Judiciário e o Meio Ambiente". O evento será no Auditório do STJ, localizado no  Setor de Administração Federal Sul.
Período de inscrição: de 2 a 13 de agosto de 2012.


Nas palestras e mesas redondas entre os temas a abordados estão Educação Ambiental, Gestão Sustentável, Bioma Cerrado, Construções Públicas Sustentáveis, Varas Ambientais, Políticas Públicas de Sustentabilidade, Movimento Amazônia para sempre.

Durante o evento também ocorrerá, das 10 às 16 horas, na Praça do Servidor do STJ, uma feira de produtos orgânicos, já tradicional no Superior Tribunal de Justiça

Além disso, no Espaço Cultural STJ, haverá a exposição "Expressões artísticas do Cerrado", que contará com a participação do artista plástico Estevam Strauss, com esculturas feitas com aparas de serraria e material reciclado de construção, bem como do fotografo Paulo Penna, com fotos do cerrado.

Maiores informações sobre o evento e inscrições no endereço: http://encontrojudiciario.akamido.com.


Programa de Responsabilidade Socioambiental
Superior Tribunal de Justiça

 

 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Secretaria disponibiliza R$ 1,2 milhão para projetos voltados para consolidação institucional e desenvolvimento local das comunidades e de suas lideranças


Data: 01/08/2012
Chamada Pública é uma das ações da SEPPIR no contexto do PBQ
A SEPPIR – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República vai disponibilizar R$ 1,2 milhão para projetos de instituições privadas, sem fins lucrativos, voltados para a capacitação de lideranças quilombolas, com foco no fortalecimento institucional e desenvolvimento local. Os convênios serão firmados com a SEPPIR depois da seleção das propostas, que ocorrerá através da Chamada Pública 002/2012, aberta a partir desta quarta-feira (01). Atualmente, 1.834 comunidades, certificadas e / ou tituladas, são oficialmente reconhecidas pelo Governo Federal.

Com o objetivo de apoiar efetivamente as iniciativas que contribuam para o empoderamento e autonomia da população quilombolas, os critérios de pontuação (item 10.2 do Edital) foram elaborados de maneira a garantir a priorização das propostas apresentadas pelas próprias organizações representativas deste segmento populacional ou por proponentes que demonstrem ter familiaridade com o universo quilombola, tanto de trabalho in loco quanto acadêmico (de produção de conhecimento para construção de políticas públicas); e que incluam em suas equipes executoras pessoas das comunidades quilombolas a serem atendidas. As propostas poderão ter orçamento entre R$ 120 mil e R$ 200 mil, voltados para gastos de custeio (capacitação, formação, incentivo, dentre outros).

“Esta é a segunda chamada pública da SEPPIR voltada para Povos e Comunidades Tradicionais em 2012. A primeira, já na fase final do processo de seleção, contemplou os povos tradicionais de matriz africana. Mesmo reconhecendo a fragilidade dos públicos tradicionais para a utilização da plataforma SICONV, consideramos que o edital público ainda é o instrumental mais justo para o acolhimento das propostas. Neste momento, a Secretaria Geral da Presidência da República coordena um esforço governamental para o estabelecimento do novo marco regulatório das transferências de recursos para as organizações da sociedade civil. A SEPPIR deu a sua contribuição no processo de discussão, lembrando a necessidade de se pensar como garantir que esses segmentos populacionais, vulnerabilizados e invisibilizados historicamente, possam também protagonizar o acesso aos recursos públicos, sem ficar reféns de intermediários”, afirma a secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais, Silvany Euclênio.
Programa Brasil Quilombola (PBQ)
A Chamada Pública é uma das ações da SEPPIR no contexto do Programa Brasil Quilombola (PBQ), lançado em 2004 para consolidar os marcos da política de Estado para os territórios quilombolas. O PBQ teve sua institucionalização ampliada com a publicação do Decreto 6261, de 2007, que agrupa as ações voltadas às comunidades em quatro eixos: acesso à terra; infraestrutura e qualidade de vida; inclusão produtiva e desenvolvimento local; e direitos e cidadania.

“A SEPPIR busca com a Chamada estimular as atividades produtivas das comunidades quilombolas e fortalecer seu diálogo com as instituições do Estado e outras, além de fomentar a sua capacidade de controle social”, destaca a diretora de programas Bárbara Oliveira Souza.

Já existem muitos empreendimentos quilombolas consolidados, e outros em fase inicial e/ou intermediária, com destaque para o arroz quilombola do Sul, a banana orgânica de São Paulo, os produtos de castanha-do-Pará, o artesanato de Pernambuco, entre outras comunidades.
Por que quilombos precisam de assistência diferenciada?
A secretária para comunidades tradicionais da SEPPIR chama atenção para as especificidades culturais, sociais e econômicas desses grupos e a necessidade de estratégias focadas. “As políticas universais, em geral, não chegam aos quilombos. Não é à toa que 76% das famílias quilombolas inscritas no CAD Único têm perfil de extrema pobreza. O processo histórico de invisibilidade é determinante na dificuldade de acessar as políticas públicas. Por isso, é fundamental construir estratégias afirmativas para diálogo com gestores e definição de orçamento. Esse olhar específico é o que assegura, muitas vezes, esse acesso”, exemplifica Silvany.
As comunidades quilombolas são grupos étnico-raciais segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida . Localizam-se em 25 estados da federação, sendo a maior concentração nos estados do Maranhão, Bahia, Pará, Minas Gerais e Pernambuco. Os únicos estados que não registram ocorrências destas comunidades são o Acre e Roraima. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

SUSTENTABILIDADE PARA POVOS TRADICIONAIS DE TERREIROS “Em busca de um Aṣé ecologicamente correto”



            O Candomblé é uma religião cultural politeísta que tem como base as divindades citadas de Òriṣás (Orixás), Vòóduns (Voduns) e Nkises (Inkisses) todas essas divindades relacionadas a uma forma ou elemento natural pertencente ao nosso meio de vida na Terra.
            O culto vem da união de vários elementos, formas, cores, sons, biomas e os animais sagrados, desta forma unindo uma só energia cósmica elementar para a vida da Religião de Matriz Africana.
            Para a sustentação do culto, iniciação de adeptos, ofertas de oferendas e eventos festivos, tem-se como foco primordial os elementos da natureza tais como: os rios doces, a costa marítima, os pantanais ou mangues, as florestas ou folhas e montanhas ou serras.
            Como o planeta Terra vive em vias de crise ambiental, imagina-se o desaparecimento total de recursos naturais na esfera terrestre, deste modo cultos como o Candomblé seriam atingidos inteiramente.
            Deste modo, a sociedade civil organizada, as instituições ambientalistas, os povos tradicionais e governos contém a missão de promover e elaborar a política de preservação de espaços destinados às práticas e cultos tradicionais, desde a extração de matéria prima, a cultivo, cultos públicos, despachos de oferendas e por fim a conservação permanente da unidade.
            Sabemos que essa visão é bastante polêmica e elevada, com necessidades de mobilização a nível nacional e elaboração de leis que demorarias uma eternidade política.
            Para que os Povos Tradicionais de Terreiros possam ter espaços destinados às práticas culturais religiosas ou litúrgicas os mesmo devem promover, nutrir, manter e exercitar o movimento ambientalista dentro e em torno de suas comunidades.
            Tais movimentos ocorrer na própria comunidade, como a Educação Ambiental, a reutilização de materiais não orgânicos (reciclagem), utilização de matérias biodegradáveis, economia de água, despacha apenas matérias orgânicos no meio natural e uma serie de práticas e costumes que elevariam a vida social desta comunidade para um lado mais saudável e afortunado.
            Se uma comunidade necessita de elementos naturais para a sua manutenção e a mesma quem tem que mobiliza-se para a preservação de espaços naturais ou de elementos naturais.
            Deste modo, sabe-se que não tem como ter culto a Òṣúm (Oxum) deusas das águas doces, com uma coleção de rios poluídos. Será que Òṣúm (Oxum) receberia uma oferenda em rios super poluídos? Com peixes mortos e esgotos a céu aberto?
            Nos rituais de iniciação às folhas sagradas é algo extremamente obrigatório. Sem a preservação ou sustentabilidade de espécies de flora teriam o culto?
            As Comunidades Tradicionais de Terreiro dentro de suas dependências necessitam aperfeiçoar um local para cultivo e manejo de espécies de flora utilizadas no culto. Já ganha-se um bom empenho na preservação e sustentabilidade do natural.   
            Outro aspecto marcante para as atitudes ecológicas destas comunidades é a utilização de materiais biodegradáveis para a realização de suas oferendas, que os titulam de Égbó (Ebó). Ou no momento da entrega do material, depositarem apenas os itens orgânicos e retornando para a comunidade com os itens não orgânicos, como garrafas de vidros, pratos, sacolas plásticas etc.
            Para que as Religiões de Matrizes Africanas possam ter acesso aos bens naturais, bens esses tão importantes para a adoração e louvação das divindades, as mesmas devem priorizar o zelo pela natureza que é fundamental para a cautela da vida no planeta.

Natal, 01 de agosto de 2012.


Égbòmé Cleyton Araújo
Professor Pedagogo – Ambientalista.
            

O inicio para o Asé.

Sempre gostava quando ouvia falar no assunto, desde criança tinha uma enorme vontade de conhecer tudo aquilo, dentro de mim tinha a certeza que era meu caminho ou minha vida estava ligado ao mesmo.
Sempre perguntava as pessoas sobre algum terreiro perto e achava o máximo ver os curandeiros ou amigos da família que são do asé. Quando criança fui a uma festa de erè mais não entendi bem como era aquilo tudo.  
Na minha cidade tem uma estátua grande de Yemanjá na praia principal, ai eu ficava vendo as flores e tudo aquilo posto pelas pessoas.
Eu tinha na mente que existia varias forças da natureza e inclusive Yemanjá.
Bem família do meu pai, que nem era católica e nem era nada, não tinha problemas em perguntar algo sobre, mesmos assim nunca falei nada. Mais já a família da minha mãe tem a base toda evangélica e nem poderia me responder nada sobre o assunto.
E passei a infância e inicio da adolescência interessado em conhecer uma coisa que eu nem sabia como era, só ouvia falar em macumba ou catimbó, nem sabia o que era Orisá ou espíritos afins.
Pois bem, aos 16 anos de idade estava na tal praia (Praia do Meio) que tem a estátua de Yemanjá e por lá conheci alguém. Como papo foi curto e nem deu pra trocar contatos, fiquei curioso e um pouco afim "pra variar".
Tinha um amigo carnavalesco (que já foi para o Orum) que era do Candomblé, porém não conversava com ele sobre isso nem sabia a fundo sobre a vida dele.
Certo dia chego a casa do meu amigo carnavalesco, e vi que estava tendo uma fumaça cheirosa, ele me falo que eu não poderia entra na casa naquele momento, eu perguntei. "Estar defumando é?" Ele responde que sim e que depois eu passa-se por lá.
Naquele momento quem estava na casa era o homem que hoje é meu Pai de Santo. Pois bem, eu continuei indo a praia para ver se tinha um reencontro e nada. Foi ai que perguntei a meu amigo se ele era espírita, ele responde que sim, perguntando por quê? Solicito logo de cara a ele "me levar no centro que frequentas".
Eu tinha uma coisa para saber. Ele diz _que eu só menor e tinha minha família. Mas não teve jeito, acabei indo ao tal centro.
Chegando lá, super curioso encantei-me ao ver um simples ato de tirar os sapatos para entra no asé, e também achei bonito ver a Mãe de Santo bater paò.
Ai eu comecei a ver os toques de santo (sirès) e nunca tinha visto uma saída. 
Passando os tempos, p cara que estava dando o tal defumando na casa do meu amigo carnavalesco, recebe cargo de Egbòme um ano depois de ter conhecido tudo. Eu nunca tinha visto uma saída de santo.
Já estava super feliz, pois já tinha tirado minhas dividas sobre minha espiritualidade, já sabia que era do caminho. Faltava agora converte-se.
Super apaixonado pelo asé, eu fui o quarto yaò feito pelo Egbòmé (meu Pai).
Hoje tenho mais de sete anos de Asé e recentemente recebi do meu Vòódum a patente de Egbòmé. Então hoje com orgulho e um coração cheio de amor eu falo que só filho de Olissá (Osalufã).                                         
 Simmm a tal pessoa revi, mais não era pra mim.