quarta-feira, 1 de agosto de 2012

SUSTENTABILIDADE PARA POVOS TRADICIONAIS DE TERREIROS “Em busca de um Aṣé ecologicamente correto”



            O Candomblé é uma religião cultural politeísta que tem como base as divindades citadas de Òriṣás (Orixás), Vòóduns (Voduns) e Nkises (Inkisses) todas essas divindades relacionadas a uma forma ou elemento natural pertencente ao nosso meio de vida na Terra.
            O culto vem da união de vários elementos, formas, cores, sons, biomas e os animais sagrados, desta forma unindo uma só energia cósmica elementar para a vida da Religião de Matriz Africana.
            Para a sustentação do culto, iniciação de adeptos, ofertas de oferendas e eventos festivos, tem-se como foco primordial os elementos da natureza tais como: os rios doces, a costa marítima, os pantanais ou mangues, as florestas ou folhas e montanhas ou serras.
            Como o planeta Terra vive em vias de crise ambiental, imagina-se o desaparecimento total de recursos naturais na esfera terrestre, deste modo cultos como o Candomblé seriam atingidos inteiramente.
            Deste modo, a sociedade civil organizada, as instituições ambientalistas, os povos tradicionais e governos contém a missão de promover e elaborar a política de preservação de espaços destinados às práticas e cultos tradicionais, desde a extração de matéria prima, a cultivo, cultos públicos, despachos de oferendas e por fim a conservação permanente da unidade.
            Sabemos que essa visão é bastante polêmica e elevada, com necessidades de mobilização a nível nacional e elaboração de leis que demorarias uma eternidade política.
            Para que os Povos Tradicionais de Terreiros possam ter espaços destinados às práticas culturais religiosas ou litúrgicas os mesmo devem promover, nutrir, manter e exercitar o movimento ambientalista dentro e em torno de suas comunidades.
            Tais movimentos ocorrer na própria comunidade, como a Educação Ambiental, a reutilização de materiais não orgânicos (reciclagem), utilização de matérias biodegradáveis, economia de água, despacha apenas matérias orgânicos no meio natural e uma serie de práticas e costumes que elevariam a vida social desta comunidade para um lado mais saudável e afortunado.
            Se uma comunidade necessita de elementos naturais para a sua manutenção e a mesma quem tem que mobiliza-se para a preservação de espaços naturais ou de elementos naturais.
            Deste modo, sabe-se que não tem como ter culto a Òṣúm (Oxum) deusas das águas doces, com uma coleção de rios poluídos. Será que Òṣúm (Oxum) receberia uma oferenda em rios super poluídos? Com peixes mortos e esgotos a céu aberto?
            Nos rituais de iniciação às folhas sagradas é algo extremamente obrigatório. Sem a preservação ou sustentabilidade de espécies de flora teriam o culto?
            As Comunidades Tradicionais de Terreiro dentro de suas dependências necessitam aperfeiçoar um local para cultivo e manejo de espécies de flora utilizadas no culto. Já ganha-se um bom empenho na preservação e sustentabilidade do natural.   
            Outro aspecto marcante para as atitudes ecológicas destas comunidades é a utilização de materiais biodegradáveis para a realização de suas oferendas, que os titulam de Égbó (Ebó). Ou no momento da entrega do material, depositarem apenas os itens orgânicos e retornando para a comunidade com os itens não orgânicos, como garrafas de vidros, pratos, sacolas plásticas etc.
            Para que as Religiões de Matrizes Africanas possam ter acesso aos bens naturais, bens esses tão importantes para a adoração e louvação das divindades, as mesmas devem priorizar o zelo pela natureza que é fundamental para a cautela da vida no planeta.

Natal, 01 de agosto de 2012.


Égbòmé Cleyton Araújo
Professor Pedagogo – Ambientalista.
            

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