domingo, 29 de março de 2015

Por que a beleza é branca? Representatividade importa?


Perdi as contas de quantas vezes ouvi a frase "bonito como um deus grego".
Obviamente eu não me enquadro no padrão deus grego, este que aprendemos com as revistas, filmes e afins. Mas nem sempre entendi a frase como racista. 

Nos filmes de temática lgbt por exemplo, o casal protagonista sempre é branco, nos livros e contos; mais uma vez brancos e nas novelas nem se fala.
Ser negro no meio gay é difícil, como sabemos bem! 
Tentamos nos enquadrar a todo custo no padrão deus grego, pois nos falta referências.

Lembro que durante os primeiros meses que estava deixando o cabelo crescer, pesquisei imagens na internet de homens com cabelo crespo, tentando imaginar como eu ficaria com black power, e o que encontrei foi um monte de homens brancos de cabelo cacheado. 
Experimente pesquisar por "homens com cabelo crespo" e pasme com os pouquíssimos que aparecem meio à tantas imagens.
A representatividade negra na grande mídia é praticamente nula, acredito que nem preciso falar da representatividade preta gay, né?

Fico pensando hoje em dia, em como a minha caminhada teria sido mais serena se eu tivesse tido referências positivas de gays pretos, assim como os gays brancos têm.
Mas o lugar da grande mídia que nos cabe, é só no pornô interracial, mostrando toda nossa "animalidade" para com as bundas brancas, não é?

Aprendemos a preferir o corpo branco ao negro, e mais sério do que isso, aprendemos também a odiar nossa estética, e tudo isso graças a falta de representatividade. 
Alisam nossos cabelos, afinam nossos narizes, diminuem nossas bocas, mudam até a cor dos nossos olhos, e adivinha! 
Você ainda não se parece com o Brad Pitt! 

Tradução: representatividade importa.

Hoje em Belo Horizonte (MG) meu amigo Anderson F. apresentou sua performance com o nome "quando eu era criança não queria ser a Vera Verão", e aproveito para pontuar que Lafond foi uma grande pessoa e também que não foi e nem é uma referência gay preta negativa, mas por ter sido a única durante tanto tempo, o bullying homofóbico com gays negros sempre martelava no mesmo ponto. 
"Uepa bicha não!" gritavam os alunos no ensino fundamental. 
E com isso, naturalmente criamos uma aversão ao Jorge Lafond e sua personagem Vera Verão durante o ensino fundamental. Ainda bem que hoje conseguimos nos desfazer deste sentimento.

Não ache que ter um personagem negro (sendo ridicularizado na maioria das vezes) em um programa de televisão basta. 
Estou falando de REPRESENTATIVIDADE no sentido mais plural da palavra. 
Quero ver pessoas como eu ou meus amigos ganhando espaços na grande mídia, falando sobre nossos dilemas, dilemas de raça.
Quero me enxergar num poema, quero ser incentivado por filmes e revistas para me amar exatamente como sou.
Eu não quero ser lindo como um deus grego, porque já sou lindo como um deus africano! 

Lanço então a campanha de um álbum colaborativo na página da bicha Nagô no facebook. (https://www.facebook.com/bichanago?fref=ts) 
A ideia é criar o álbum com fotos das bichas Nagô leitoras do tumblr, visando o embelezamento da página e também o fortalecimento da nossa autoestima que é ferida desde sempre.
Vamos celebrar a nossa beleza, e não essa vendida em revistas. 
Enviem as fotos para o email bichanago@gmail.com ou por mensagem no facebook. Vamos desconstruir esses padrões impostos.
O álbum vai se chamar "lindo como um deus africano".


À todas as bichas Nagô, força na caminhada. 


sexta-feira, 27 de março de 2015

CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros é instalada

A Câmara dos Deputados instalou nesta quinta-feira (26) uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o que motiva e quais os custos econômicos e sociais do aumento de mortes e desaparecimentos de jovens negros.
Os homicídios são hoje a principal causa da mortalidade de jovens entre 15 e 24 anos no Brasil e atingem, em especial, negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas, segundo o Mapa da Violência de 2014.
O estudo também aponta para um novo padrão da mortalidade juvenil: epidemias e doenças infecciosas foram substituídas, ao longo das últimas seis décadas, por acidentes de trânsito e homicídios.
Crime organizado
A CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros será presidida pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ele disse que a comissão vai investigar as estratégias usadas pelo tráfico, por grupos paramilitares e pelas milícias. Segundo ele, é preciso desmontar o crime organizado para evitar mais chacinas.
"Eu espero que essa CPI dê conta de investigar o passado, escrever e exigir punições e, ao mesmo tempo, apontar para um novo Brasil do século 21", disse Lopes.
Maioridade penal
Reginaldo Lopes é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O deputado acredita que o problema da violência no País não é o tamanho da pena, mas o tamanho da impunidade.
"Como pode o Estado, que não fez o seu dever de casa, ter autoridade para reduzir a maioridade penal?”, questionou. “Isso tem de ser debatido, e eu acho que essa comissão tem de dialogar com quem acha que uma proposta que não educa, apenas pune, resolve o problema”, afirmou Lopes.
Composição
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) será o 1º vice-presidente da CPI; a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) será a 2ª vice-presidente; e o deputado Wilson Filho (PTB-PB), o 3º vice-presidente. A relatoria caberá à deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ).
A CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros é formada por 22 deputados, entre titulares e suplentes, e terá prazo de seis meses para concluir os trabalhos.

Tombamento definitivo - Casa de Bessen


Ministro Juca Ferreira homologa tombamento de Terreiro Zoogbodo Male Bogun Seja Hunde, de Cachoeira (BA).

O Iphan reconheceu Roça do Ventura como Patrimônio Cultural do Brasil, em dezembro do ano passado

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, homologou o tombamento do Terreiro Zoogbodo Male Bogun Seja Hunde, localizado no município de Cachoeira (BA). A portaria foi publicada no DOU desta quinta-feira (26).

Também conhecido como Roça do Ventura, o terreiro é responsável pela preservação de umas das tradições religiosas de matriz africana, da liturgia do Candomblé de nação Jeje-Mahi originaria nos cultos às divindades chamadas Vodum. O Seja Unde tem fundamental importância na formação da rede de terreiros do Recôncavo Baiano e para a formação do Camdomblé como religião.

A solicitação para o tombamento da casa de candomblé matricial de tradição jeje-mahi foi feita pela então presidente da Sociedade Religiosa Zogbodo Male Bogun Seja Unde, Alaíde Augusta da Conceição, a veneranda vodunce Alaíde de Oyá, em dezembro de 2008 e reinterado, em 2009, pelo atual presidente da Sociedade Religiosa Zoogbodo Male Bogun Seja Hunde e Ogã da casa, Edvaldo de Jesus Conceição, o Buda.

O mais novo bem cachoeirano considerado Patrimônio Cultural do Brasil teve seu tombamento aprovado, em 04 de dezembro do ano passado, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reunido na sede do Iphan, em Brasília.

Início em 1858

A ocupação da Roça do Ventura teve início em 1858. O terreiro Zoogbodo abrange um sítio natural e elementos edificados, além de árvores referenciais dos ritos Jeje, como as Casas de Hospedagem; Oiá (Altar); Peji (cerimonial), com salão, ronco e cozinha sagrada; Casa dos Antepassados; Fonte de Osum; Poço; Ponte e Instalações Sanitárias. As Árvores Sagradas (atins) existentes no local são Nana, Tiriri, Ogum Sorokwe, Averekete, Sogbo, Bessém, Ogum, Azansun, Lokó, Badé, Agué e Parara. Também fazem parte do conjunto o Riacho Caquende – Odé e as margens Aziri e Avinagé.


GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº 21, DE 25 DE MARÇO DE 2015 Homologa o tombamento do Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde, no Município de Cachoeira, Estado da Bahia. O MINISTRO DE ESTADO DA CULTURA, no uso das atribuições legais que lhe são conferidas pelo inciso IIdo parágrafo único do art. 87 da Constituição, pela Lei nº 6.292, de 15 de dezembro de 1975, e tendo em vista a manifestação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural na sua 67ª reunião, realizada no dia 3 de maio de 2011 e na sua 77ª reunião, ocorrida no dia 4 de dezembro de 2014, resolve: Art. 1º Homologar, para os efeitos do Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, o tombamento do Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde, no Município de Cachoeira, Estado da Bahia, a que se refere o Processo nº 1.627 - T - 11 (Processo nº 01502.000147/2009-58). Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. JOÃO LUIZ SILVA FERREIRA

quarta-feira, 11 de março de 2015

Eu vou e você vai?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham espaços nos poderes de decisão?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham um Plano Nacional para o seu Desenvolvimento Sustentável?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham uma Comissão Nacional de Povos de Terreiros ligada a Secretaria Geral da Presidência?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham Conferencias de Igualdade Racial?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham uma Secretaria de Politicas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da Republica - SEPPIR-PR?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham um Plano Nacional de Politicas Públicas de Cultura para seu Povo?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham a Lei nº 10.639?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham direitos a Editais Públicos para o desenvolvimento de seus projetos?

Será que no tempo do governo FHC as Redes e Fóruns dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, existiam ou tinham direito a voz?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham uma Politica Nacional de Igualdade Racial?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham uma Politica Nacional para a Saúde da População Negra?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham uma Politica Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham um Estatuto da Igualdade Racial?

Será que no tempo do governo FHC os Povos Tradicionais de Matriz Africana, tinham inclusão na Proteção do Patrimônio Histórico e Cultural?

Até os últimos dias do governo de FHC no Brasil tínhamos apenas 4 Terreiros tombados, hoje temos mais de 11 Comunidades Matriz Africana tombados, e esses números chegaram a mais.

Acho que não precisa comparar mais nada.

Eu, Etemi Cleyton Araújo Lufancy vou para à rua dia 13 e você?




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Profº Cleyton Araújo
Graduado em Pedagogia e Pós Graduado em Gestão Publica Ambiental
@CleytonARTES  
(084) 8846-5439  9199-0379  9838-6088


terça-feira, 10 de março de 2015

Dia 13 eu vou.


No próximo dia 13 vamos às ruas na defesa do nosso voto, do direto a democracia que elegeram a nossa presidenta da republica.
Muito precisamos a avançar, muito ainda vamos erguer-se.

Nos últimos 13 anos construíram ferramentas de participação e de deliberação onde impetramos a mudança do país junto com governo.
No dia 13 vamos as ruas dizer que, diferentes de boa parte do congresso, nos sim, protagonizamos a participação real da sociedade no governo Lula e Dilma e não temos medo da elite de direita.

E com uma real reforma politica e possível mudar o Brasil.
Por isso mais uma vês vamos tomar as ruas, fomos nós quem tomou os tiros de verdade na ditadura, quem teve através de leis racistas o direito negado de tocar nossos atabaques e tambores. Sabemos que só com a democracia tivemos o direito à voz. Foi nos governos do PT que tivemos direitos acastelados e imponderado.  
Por isso eu, meus irmãos, filhos e pais e mães vamos estar em marcha no dia 13 com nossos fios e troços vestindo vermelho  acreditando na mudança.

Avante Povo da Tradição. 


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Profº Cleyton Araújo
Graduado em Pedagogia e Pós Graduado em Gestão Publica Ambiental
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