sábado, 23 de maio de 2015

Além de Religião somos mais, somos Tradição.

Falar e ter um discurso voltado para a religião ou intolerância religiosa é não pensar e agir na concepção política. 
Não podemos ter retrocessos nos debates e nas discussões políticas de longos anos por falas voltados apenas na religiosidade.
Nós Povos Tradicionais de Matriz Africana, somos reconhecidos pela Conversão 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT da Organização das Nações Unidades – ONU, e a Republica Federativa do Brasil assinou essa carta, decretando assim e reconhecendo os seus Povos e Comunidades Tradicionais. 
Ao Decreta (Decreto 6.040/2007) que reconhecem os Povos oriundos da diáspora africana, que foram sequestrados e postos nessa terra por três longos séculos como mão de obra escrava. Ser Povos Tradicionais de Matriz Africana e ter um ganho nas políticas publicas de garantia de TERRA/ÁGUA, Segurança Alimentar e Nutricional, garantia da manutenção das línguas, acesso ao meio ambiente, dupla cidadania e garantia do Território.
 Declara-se como Religiosos ou Religiosas de Terreiros, do Santo, Povo do Axé, Religião etc. Deixa-se de fora das políticas brasileiras, planos e leis de incentivo e garantias.
Um grande exemplo é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. Determina nos seus artigos que as Unidades de Conservação ou Parque Naturais que tenham Povos Tradicionais no seu entorno ou dependência podem e devem ser consideradas como de Uso Sustentável.
Não tem como haver no Brasil um plano nacional para o desenvolvimento de religiões. Nosso estado é laico!!!
Mais há no Brasil sim: O Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais.
Porque temos que ser chamados de Povos Tradicionais?
O Decreto 6.040/2007 define: Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados, que se reconhecem como tais, possuem formas próprias de organização social e ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.
Nos temos um tronco linguístico próprio, alias temos vários (Kiribundo, Kibundo, Kikongo, Yorùgbá, Fongbe, Ewe, Mina). Temos uma soberania alimentar e nutricional, uma forma de alimentação baseada na ancestralidade (uma comida própria). Temos uma relação com a natureza própria, uma relação ancestral com a natureza, e isso é base fundamental para nossa sobrevivência. Temos uma forma de organização política própria, baseado na circularidade. Temos uma relação com a ancestralidade definida. Temos uma cultura própria e particular. Temos um conceito civilizatório Afrocentrado e não os da Europa. Sim! Também temos uma forma de pensar a Religiosidade, mais isso é um ponto entre os diversos termos e conceitos que nos define como Povo Tradicional.

Vodunce Cleyton Araújo - Etemi Lisasi (Povo Tradicional de Matriz Africana Ewe-Fon)
Coord. Nacional da Juventude do FONSANPOTMA

ANJPCT-Brasil. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Lançamento da Frente Parlamentar em defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana

Como parte das celebrações pelos 127 anos da abolição da escravatura no Brasil, parlamentares e representantes da sociedade civil organizada realizaram, na manhã de hoje, o relançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. Com vestimentas e contas que traduzem a religiosidade, a ancestralidade e a cultura do povo negro, os participantes do evento ocuparam o Salão Nobre da Câmara para reafirmar a luta contra a discriminação étnico-racial e em defesa das tradições da população afrodescendente.
“Este é um espaço para o debate das demandas da população negra, para reivindicar respeito e liberdade de culto, para que os povos de matriz africana possam usar suas contas e celebrar sua religiosidade, para que os terreiros sejam respeitados como espaços de transmissão de conhecimento e consolidação da cultura negra. É preciso criar políticas de geração de emprego e renda para as comunidades de terreiros”, enumerou Erika Kokay. “Também teremos a missão de acompanhar e propor iniciativas legislativas que contribuam para o enfrentamento do racismo e a superação da violência institucionalizada contra a população negra, maioria nos sistema socioeducativo e carcerário, e com 75% de jovens negros dentre os mortos de forma violenta neste país”, afirmou a deputada.
Erika Kokay lembra que a frente parlamentar contará com ampla participação da sociedade civil organizada. O Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (FONSANPOTMA) e o Foafro-DF foram parceiros na realização do evento de hoje.