quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Carta de afastamento

CARTA DE AFASTAMENTO

Venho por meio deste dispositivo informar meu afastamento do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana - FONSANPOTMA, ao qual faço parte da Executiva Nacional pasta da Coordenação de Juventudes. Sendo membro da bancada do Povo Djedje.

2   Diante a atua conjuntura política tive que fazer esforços para atuar e trabalhar no universo capitalista em uma metrópole nacional.

3   Não sendo mais morador do estado do Rio Grande do Norte sofri perseguições políticas ao mudar-me para o Estado da Bahia e também sofri perseguições políticas ao ingressar em uma comunidade Tradicional baiana. Perseguições essas promovidas por membros do FONSANPOTMA do RN.

4   Ao longo de quatro anos de atuação da pasta da Juventude, minha atuação foi sempre questionada. Questionamentos dos quais começaram desde 2011 quando fui selecionado pelo Ministério da Cultura parte da I Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas para Povos Tradicionais de Matriz Africana. O conceito coronealista firmado pelas lideranças da Tradição de Matriz Africana do RN não aceitavam um jovem viajar Brasil a fora como representante.

5   Fui perseguido politicamente após ser escolhido membro do FONSANPOTMA. Mais uma vez o conceito coronealista do RN não aceitava um Jovem ser o primeiro representante do RN a uma recém criada organização nacional tão importante.

6   Fui eleito democraticamente Coordenador do Comitê Gestor de Distribuição de Alimentos para os Povos Tradicionais de Matriz Africana, programa da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República - SEPPIR-PR. As perseguições foram tantas que um dia após a eleição democrática com a presença de servidores públicos federais e estaduais algumas pessoas não eleitas pediram outra eleição. Tipo para poder por à mão nas "cestas da SEPPIR".

7  Fui perseguido sempre, e até uma nota lançaram questionando minha atuação nacional. Essa por causa do lançamento da Articulação Nacional das Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais - ANJPCT-BRASIL. Sou um dos líderes dessa articulação.

8  Chegaram até questionar minha cidadania Potiguar. Alegando que, como um membro de um Terreiro Baiano não poderia falar em nome do Rio Grande do Norte e assim negar minha vida no estado.

9  As perseguições firmaram-se até a ameaças de morte. Após minha participação na Comissão de Organização Nacional da Conferência Nacional de Juventudes. Algumas liderança do RN chegaram a afirma que "só ele morrendo para deixar os espaços livres para nossa entrada".

10  As perseguições ganharam outro lado, a minha mudança para São Paulo. Com o argumento que eu estou ganhando muito dinheiro e eles não. Resolveram atirar e provocar. Em um país de clima de golpe contra a democracia. Fazer golpe até nos movimentos sociais virou jogo de tampinha.

11  Em um clima de tantas provocações e insultos. O golpe foi vitorioso. Apenas em um momento de descontrole emocional e Psicológico cair a devolver as perseguições em umas falas soltas. Mesmo estando fora de si.

Aqui afirmo:

A - Não é das minhas práticas Tradicionais promover violência contra mulheres. Principalmente tratando de uma mulher negra da Tradição de Matriz Africana.

B  Não é de minha prática tradicional promover ameaças de morte a qualquer pessoa da Tradição de Matriz Africana ou religião afim.

C  Não é de minha prática tradicional promover a desconstrução dos Conceitos Tradicionais.

D  Seja qual for seu lado um Jovem Negro, homossexual, morador da periferia e de Matriz Africana sempre será perseguido pelo sistema dos que querem engolir o mudo através dos golpes colocados no mundo dos fascistas infiltrados dentro da Tradição de Matriz Africana.

12  Mesmo em 6 anos de perseguições políticas e pessoais,  por ser atuante na militância da Juventude Nacionalmente, ter mudando de Unidade Territorial Tradicional - UTT (Terreiro) eu não tenho práticas criminosas contra os direitos humanos, a natureza, política de promoção de combate ao racismo e demais bandeiras de luta.

13   Todos os Jovens têm o direito de escolher qual Tradição irão envelhecer. Isso é livre perante o Ancestral Divinizado de cada um. Cada um procura suas melhoras de vida na Tradição, livre de ameaças de morte pela força da natureza (feitiços).

14  Por crer no Conceito da Tradição. Respeito aos mais velhos, compromisso com os mais novos, ter à Natureza como Divindade, ter uma Alimentação Saudável.

15  Crendo que a Tradição Alimenta, não violenta.

16  Declaro-me afastado do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana - FONSANPOTMA.

Cumpra-se.

São Paulo, 12 de janeiro de 2017.

Atenciosamente

Vodunsi Cleyton Araújo Olisasi


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